Red Dead Redemption (PS5) – Um clássico que continua implacável

Review completo – Sim, eu Sou um Geek

Aowwww Birrugada! Depois de zerar Red Dead Redemption 2, decidi jogar Red Dead Redemption 1 na versão melhorada para PS5. A experiência foi curiosa: voltar no tempo cronológico da franquia após vivenciar o refinamento técnico e narrativo de RDR2 poderia ter sido um choque maior do que realmente foi. Sim, o jogo denuncia sua idade — principalmente nos modelos faciais e na rigidez de algumas animações — mas o impacto da sua narrativa e a força da sua construção de mundo continuam absurdamente relevantes.

Red Dead Redemption não é apenas um complemento de RDR2. Ele é o fechamento trágico de uma história que começa com a queda de uma gangue e termina com a morte de um homem tentando ser melhor do que o seu passado.

E funciona de maneira brilhante.

Contexto: a sequência direta de Red Dead Redemption 2

Se RDR2 é a queda da gangue Van der Linde, RDR1 é o acerto de contas final.

A história começa em 1911. O Velho Oeste está morrendo. A civilização avança, o governo se fortalece e figuras como John Marston são vistas como resquícios de uma era violenta que precisa ser eliminada.

John não está ali por escolha.

O governo federal sequestra sua esposa Abigail e seu filho Jack. A condição para libertá-los é clara: John precisa capturar ou matar seus antigos companheiros da gangue — Bill Williamson, Javier Escuella e, eventualmente, Dutch Van der Linde.

É o passado cobrando a conta.

Gráficos e versão PS5

A versão melhorada para PS5 entrega:

  • 60 fps estáveis

  • Melhor definição

  • Loadings mais rápidos

  • Melhor nitidez geral

Ainda assim, o jogo carrega limitações claras da geração original:

  • Expressões faciais rígidas

  • Animações corporais menos naturais

  • NPCs com pouca variação comportamental

Mas há algo curioso aqui: mesmo com “rostos tortos”, o jogo é lindo.

Os cenários são espetaculares. O pôr do sol no deserto de New Austin continua cinematográfico. As tempestades de areia, as pradarias, os trilhos de trem, as pequenas cidades de madeira — tudo carrega uma identidade muito forte.

A direção de arte é o verdadeiro pilar visual do jogo.

Estrutura narrativa: uma jornada dividida em três atos

Red Dead Redemption se estrutura em três grandes blocos narrativos:

  1. A Caçada em New Austin

  2. O Exílio no México

  3. O Retorno e o epílogo trágico

E é justamente nesses momentos que os maiores plot twists acontecem.

Primeiro grande momento: Quando achamos que está acabando… vamos para o México

Após enfrentar Bill Williamson em Fort Mercer, o jogador acredita que está chegando ao clímax. Mas não.

Bill foge para o México.

E é aqui que Red Dead Redemption muda completamente de tom.

No México, o jogo ganha camadas políticas. John se envolve no conflito entre o regime autoritário do Coronel Allende e os revolucionários liderados por Abraham Reyes. Ele vira peça de um jogo maior, manipulado por ambos os lados.

O México é um divisor de águas narrativo:

  • A ambientação muda drasticamente.

  • A trilha sonora ganha tons latinos e melancólicos.

  • A narrativa abandona a perseguição simples e mergulha em traição e manipulação.

É também onde percebemos que John não está apenas caçando criminosos — ele está sendo usado pelo próprio governo que promete libertar sua família.

Segundo impacto: Matar o “vilão” não é o fim

Após eliminar Bill Williamson e Javier Escuella, tudo aponta para um encerramento. Mas ainda resta Dutch Van der Linde.

O confronto final com Dutch é extremamente simbólico. Ele já não é o líder carismático de RDR2. É um homem quebrado, paranoico, deslocado no mundo moderno.

E então vem uma das frases mais fortes da franquia:

“Our time has passed, John.”

Dutch se suicida, negando ao governo o prazer da captura.

Nesse momento, acreditamos que a missão terminou.

Mas Red Dead Redemption ainda não acabou.

O terceiro ato: A falsa paz

John volta para Beecher’s Hope. Reencontra Abigail. Reencontra Jack. Recomeça a vida na fazenda.

E aqui o jogo desacelera.

Muitos jogadores, na época, acharam essa parte “estranha”. Mas após jogar RDR2, esse trecho ganha outro peso.

É o sonho que Arthur Morgan queria para John.

Vida simples. Trabalho honesto. Família.

O jogador acredita que finalmente haverá redenção.

E então vem o golpe final.

O verdadeiro plot twist: A morte de John Marston

Agentes federais cercam a fazenda.

Não importa o que John fez.
Não importa que cumpriu sua parte.
Não importa que entregou todos os antigos companheiros.

O governo nunca pretendia libertá-lo de verdade.

John coloca Abigail e Jack em segurança e sai sozinho para enfrentar os agentes.

Ele abre o celeiro.
A câmera desacelera.
A mira entra em Dead Eye.
Você tenta atirar.

Mas é inútil.

John é executado.

Não há vitória.
Não há fuga.
Não há heroísmo glorioso.

A redenção não era viver.
Era morrer tentando ser melhor.

É um dos finais mais impactantes da história dos videogames.

Epílogo: Jack Marston e a semente de Red Dead 3

Anos depois, assumimos o controle de Jack Marston.

O Oeste acabou.
A era moderna chegou.
A violência persiste.

Jack localiza Edgar Ross, o agente responsável pela morte de seu pai.

O duelo final é simples, seco e simbólico.

Jack mata Ross.

E ali nasce uma nova possibilidade narrativa.

Se houver um Red Dead Redemption 3, tudo indica que pode seguir Jack — seja aprofundando sua transformação em fora-da-lei, seja explorando as consequências de sua vingança.

A grande ironia da franquia é essa:

A violência sempre retorna.
O ciclo nunca termina.

Jogabilidade: envelheceu bem?

Sim, com ressalvas.

Pontos positivos:

  • Sistema de Dead Eye ainda é satisfatório.

  • Missões variadas.

  • Mundo aberto orgânico.

  • Eventos aleatórios interessantes.

Pontos que denunciam a idade:

  • Movimentação menos fluida.

  • Cobertura mais rígida.

  • IA simplificada comparada a RDR2.

Ainda assim, a experiência continua extremamente envolvente.

Comparação com Red Dead Redemption 2

Depois de jogar RDR2, RDR1 ganha ainda mais força.

  • Entendemos melhor o peso emocional de John.

  • A morte de Dutch tem outra camada.

  • O sonho da fazenda ecoa o desejo de Arthur.

RDR2 enriquece RDR1.
RDR1 encerra RDR2.

São obras complementares.

Trilha sonora e atmosfera

A trilha sonora é minimalista e poderosa. O momento da travessia para o México, ao som de “Far Away”, continua sendo um dos momentos mais memoráveis da indústria.

O silêncio do deserto.
O som do vento.
O ranger da madeira das cidades.

Red Dead Redemption é atmosfera pura.

Conclusão

Mesmo com limitações técnicas visíveis, Red Dead Redemption continua sendo uma obra-prima narrativa.

Ele não é apenas um jogo sobre caçar antigos aliados.
É uma história sobre:

  • Culpa

  • Consequências

  • Família

  • Redenção impossível

O final permanece brutal.
O ciclo da violência permanece intacto.
E a sensação de injustiça é exatamente o que torna tudo tão marcante.

Jogar após Red Dead Redemption 2 não diminui sua força — pelo contrário, amplifica.

Red Dead Redemption é o tipo de experiência que não depende apenas de gráficos.
Depende de impacto.

E ele ainda impacta.

Nota final – 9.6 / 10

Red Dead Redemption é um clássico absoluto.
Envelheceu tecnicamente, mas continua narrativamente imbatível.

Se RDR2 é a construção do mito,
RDR1 é a tragédia final.

E poucas histórias nos games tiveram coragem de terminar assim.