Blightstone – Entre a ambição do roguelite e o charme do RPG tático
Aowwwww Birrugada! Testamos Blightstone em acesso antecipado e analisamos como o jogo equilibra narrativa, estratégia por turnos e a exigência típica dos roguelites.
Introdução
Blightstone é um daqueles projetos que deixam claro, desde os primeiros minutos, que não nasceram para agradar todo mundo — e isso, curiosamente, é parte do seu charme. Desenvolvido como um RPG tático por turnos com fortes elementos de roguelite, o jogo aposta em um mundo sombrio, sistemas profundos e uma progressão que exige atenção, paciência e adaptação constante do jogador.
Tive acesso antecipado ao game e passei boas horas explorando seus sistemas, acompanhando sua história e, principalmente, enfrentando suas mecânicas mais punitivas. A experiência foi bastante positiva, ainda que desafiadora, especialmente para quem, como eu, se considera um jogador mais casual de RPGs.
Um mundo corrompido que conversa com a jogabilidade

O primeiro grande acerto de Blightstone está no seu cenário. O mundo apresentado é marcado por decadência, corrupção e uma sensação constante de ameaça. Essa atmosfera não está apenas no visual ou na trilha sonora, mas se manifesta diretamente na forma como o jogo é estruturado.
Os ambientes são interativos e influenciam o combate, seja através de posicionamento, obstáculos, efeitos de terreno ou eventos inesperados. Nada parece puramente decorativo. Cada mapa carrega identidade própria e reforça a sensação de que aquele mundo está vivo — e perigosamente instável.
Essa integração entre cenário e mecânicas é um diferencial importante, especialmente em um gênero onde muitas vezes o campo de batalha serve apenas como pano de fundo.
Combate por turnos: estratégico, coerente e satisfatório

Blightstone aposta em um sistema de combate por turnos que conversa muito bem com sua proposta narrativa e estética. As batalhas exigem planejamento, leitura do campo e uso inteligente das habilidades disponíveis.
Não se trata apenas de atacar ou defender. Posicionamento, ordem de ações, sinergia entre personagens e leitura dos inimigos fazem toda a diferença. O jogo pune decisões impensadas, mas recompensa jogadores atentos e estratégicos.
Para quem aprecia RPGs táticos, o combate é um dos pontos mais altos da experiência. Ele é claro, bem apresentado e suficientemente profundo para evitar a sensação de repetição, mesmo após várias horas.
O peso do roguelite: virtude e obstáculo

É aqui que Blightstone pode dividir opiniões.
O jogo incorpora elementos clássicos de roguelite: progressão não linear, derrotas que fazem parte do aprendizado e a necessidade de recomeçar com frequência. Para jogadores mais experientes ou vorazes no gênero, isso representa desafio e longevidade.
No meu caso, como jogador casual de RPG, esse aspecto se mostrou um obstáculo adicional. A curva de aprendizado é exigente, e o jogo não faz grandes concessões. Errar custa caro, e nem sempre o tempo disponível permite mergulhar profundamente em cada sistema.
Isso não é exatamente um defeito, mas uma escolha de design clara. Blightstone sabe para quem está sendo feito — e não tenta diluir sua identidade para agradar todos os públicos.
História envolvente e bem conduzida

A narrativa é outro ponto forte. A história de Blightstone é intrigante, bem escrita e apresentada de forma gradual, sem excessos expositivos.
O jogador é convidado a descobrir o mundo aos poucos, entender suas regras, conflitos e personagens através da exploração e dos eventos que surgem durante a jornada. Existe um cuidado claro em alinhar narrativa e jogabilidade, algo que nem sempre acontece em jogos do gênero.
Mesmo com o ritmo mais lento imposto pelo estilo roguelite, a história consegue manter o interesse e criar um senso de propósito para cada nova tentativa.
Gráficos e animações: identidade e cuidado técnico

Visualmente, Blightstone entrega exatamente o que promete. Os gráficos são bem trabalhados, com uma direção de arte consistente e alinhada ao tom sombrio da proposta.
As animações são detalhadas e bem elaboradas, especialmente durante os combates. Ataques, habilidades e interações com o ambiente possuem peso e clareza visual, facilitando a leitura das ações em tela.
Não se trata de um jogo que busca realismo extremo, mas sim identidade visual — e nisso ele é bem-sucedido.
Performance e sensação geral

Durante o período de testes em acesso antecipado, o jogo se mostrou estável, com boa performance e poucos problemas técnicos perceptíveis. Considerando que ainda está em desenvolvimento, o estado atual é bastante promissor.
A sensação geral é de um projeto ambicioso, feito com cuidado e com uma visão criativa bem definida.
Nota final e conclusão
Blightstone é um RPG tático por turnos muito competente, com mundo envolvente, combate estratégico e narrativa bem construída. Seus elementos de roguelite adicionam profundidade e desafio, mas também elevam a barreira de entrada para jogadores menos dedicados ao gênero.
Minha nota final é 7,5.
Não por falta de qualidade — muito pelo contrário —, mas porque o estilo roguelite exige um nível de dedicação que, como jogador casual de RPG, reconheço não conseguir acompanhar plenamente. Ainda assim, é um jogo que recomendo fortemente para quem aprecia desafios estratégicos, sistemas profundos e mundos sombrios bem construídos.
Blightstone não tenta ser fácil. Ele tenta ser fiel à sua proposta. E nisso, acerta em cheio.
Conteúdos e gameplay
Durante o acesso antecipado, realizei transmissões e gravei gameplay completa do jogo. Você pode conferir nos links abaixo:
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YouTube (live/replay): https://youtu.be/_fqeXtDz_X0
Para quem quer entender melhor como o jogo funciona na prática, esses vídeos ajudam bastante a visualizar seus sistemas e ritmo de jogo.

